Documentário sobre Evo Morales ganha espaço nos Festivais

 

 

“Cocalero”, o documentário de co-produção argentino-boliviana que mostra as viagens realizadas por Evo Morales pelo interior da Bolívia durante a campanha para presidente do país em 2005, já está sendo exibido nas salas e festivais do mundo.

 

Sua estréia aconteceu no último Festival de Sundance, nos Estados Unidos. Depois ele foi projetado no Festival Internacional do Cinema de Mar da Prata e nesta semana chegará às telas do Festival de Cinema Independente de Buenos Aires (Bafici) que acontece até o dia 15 de abril.

 

Antes de ser exibido em circuito comercial na Bolívia, o que ocorrerá em 26 de abril nas cidades de La Paz, Santa Cruz de la Sierra e Cochabamba, o "Cocalero" será projetado em El Chapare, zona subtropical do departamento de Cochabamba, centro da Bolívia no dia 19 de abril. No local foi registrada grande parte da produção, na ocasião o filme irá aproximar o cinema da população que não tem acesso a ele, população esta que é protagonista do filme, por isso o evento tem um forte valor histórico.

 

O filme “Cocalero” é um registro minucioso das conversas políticas do presidente da Bolívia, Evo Morales, e também o registro de alguns momentos mais íntimos como por exemplo uma hilária conversa dele com sua cabeleireira.

Através da obra é possível traçar o perfil do ignorado dirigente cocalero, que chegou em 1997 ao parlamento --reforçando seu papel de líder da resistência camponesa contra o plano antidrogas do então presidente conservador Hugo Banzer-- ao atual chefe de Estado, para compreender seu particular modo de fazer política.

Para o direto do filme, Alejandro Landes, que é brasileiro, Evo é a síntese da mestiçagem da região: é um índio aymará que virou sindicalista e, defendendo o cultivo da coca, enfrenta a luta antidrogas norte-americana e gera uma onda nacionalista que o transforma no presidente do país.

 

Cocalero foi rodado com câmera na mão, sem iluminação artificial e narração em off. Muitas vezes, é possível ouvir o cineasta quando fala com Evo Morales. Este não é só um filme sobre a rebelião camponesa boliviana — mas também um retrato da América Latina. Simboliza a luta das culturas originárias da região, que, por meio da obra de Landes, falam de postergação, desesperança e desejos.

 

Nas salas comerciais da Argentina o filme chega no dia 19 de maio.

  

 

 

Marinete Pinheiro


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