Mês da Pachamama

Não há uma data exata no mês de agosto (do calendário gregoriano) onde os povos do Tawantinsuyo ofrendaban à mãe terra. Seus filhos a seguem homenageando em Buenos Aires


Para o calendário dos povos é o "mês de romper terras" ou Chácara Iapvi, o tempo de labranza. Mas antes de iniciar os labores se lhe pede permissão à Pachamama e se lhe realizam oferendas para que seja propício o trabalho e não lhes falte o alimento para sua subsistência.

Mas seus filhos não querem aferrarse à recordação e tentam nas urbes compartilhar com seus irmãos esse dia tão especial para nossos povos.

Geralmente é o primeiro dia de agosto em que a maioria elege fazer a oferenda neste novo espaço de vida. Em reciprocidade com a mãe terra, se lhe dá de comer para que ela possa brindar seus alimentos que são nossa fonte de vida.

Perfura-se um buraco na terra e os comunarios se sentavam em círculo para alimentá-la na boca do buraco, esse mesmo alimento ela o transformará em comida que terão de servir-se no futuro nossos filhos.

Antes da chegada dos espanhóis a esta parte do continente, muitos povos indígenas realizavam práticas parecidas. É que os povos indígenas partem de uma cosmovisión diferente à ocidental e cristã. Os indígenas não consideram ao homem como a criação superior, para eles é um ser mais, vivo na terra.

Esta concepção do mundo que localizava ao homem como um ser vivo mais, outorgava uma responsabilidade no acionar do médio ambiente onde habitam todos os seres vivos.

Eles eram conscientes de que qualquer modificação na natureza ia repercutir no meio, e portanto na vida que alberga.

Essa cosmovisión de tipo circular, onde a interdependência dos diferentes elementos que compõem o médio ambiente se torna fundamental; desenvolveu uma atitude observadora para o habitat dos povos originários.

Esta atitude permitiu a nossos predecessores adaptar-se a uma geografia hostil, aprendendo a tomar o necessário do ecossistema que o rodeava.

A sociedade globalizada na que vivemos, é produto de uma carreira desenfreada para um progresso material, sem medir as conseqüências que os supostos avanços desse "progresso" gera à humanidade.

Ainda se conservam algumas práticas como o da Pachamama, não só no campo, também nas cidades.

Muitos de nossos pais que nasceram no setor rural de Bolívia, não perderam o costume de sahumar os extremos das casas com o k'oa, como herança das culturas andinas.



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