Um Congresso que não atua nem sob pressão 

A crise social e política de Bolívia se agudiza minuto a minuto. O Congresso Nacional tera sessão em Sucre para aceitarlhe a renúncia a Mesa e eleger ao sucessor.

 

De muito pouco serviu que Mesa, aprovasse no 2 de junho, o Decreto pelo qual se dispunha que o 16 de outubro se levasse a cabo a Eleição Nacional de Constituintes e o Referendum Nacional Vincular sobre o Regime de Autonomias.

Somado a isto a decisão da renúncia de Mesa a segunda-feira 6, também não aplacou a fúria dos manifestantes que mantêm um cerco extenuante em La Paz.

Nem o decreto, nem a renúncia tranqüilizou aos setores mobilizados, quem se mantêm em La Paz, desde faz três semanas com marchas e bloqueios, "É tarde demais a reação do Presidente, e já não podemos voltar atrás, nós continuaremos com a luta pela recuperação dos hidrocarbonetos", assinalou Román Loayza, executivo da Confederação de Camponeses de Bolívia. Tambem indicou que a saída para Bolívia é convocar a novas eleições presidenciais para mudar por completo o Congresso Nacional, o qual não responde às demandas da população. 
Tanto sindicais como cívicos de todo o país consideram que já concluiu o tempo da coordenação para concordar uma agenda nacional. Agora exigem que as eleições gerais se adiantem. É a nova consigna das mobilizações, que já não acredita em os parlamentares.

O Congresso 

Um panorama de vergonha, foi o que apresentou o Congresso Nacional de Bolívia, que entre gritos, acusações e principalmente desacordos não conseguiram dissolver os protestos e a expectativas de toda a população, quem tinham uma esperança nos legisladores, para que inicie a sessão do Congresso e coloquem um ponto final nas mobilizações.

Mas o Congresso fracassou em sua tentativa de atender às agendas propostas em ocidente e em oriente. Além de protagonizar vários escândalos e provocar a reação da gente que cerca a Praça Murillo.

O Congresso deveu fixar a data de realização do referendum autonômico, a pedido dos cívicos de Santa Cruz, respaldados em mais de 290 mil assinaturas. Essa decisão é postergada desde o 19 de maio, quando -depois de aprovar em grande a resolução- o senador Vaca Díez dispôs trabalho regional até o 31 de maio.

É então que surgem as dúvidas a respeito da retomada de labores no Congresso, que depois do adiamento da decisão sobre o referendum, a cidade de La Paz se agitou porque vários setores sociais reclamaram que se trate a Assembléia Constituinte antes que o referendum autonômico, enquanto os cívicos de Santa Cruz exigiam que se realize a consulta pela autonomia o mesmo dia que a eleição de prefeitos, fixada para o 12 de agosto, por Hormando Vaca Díez quando exerceu interinamente a Presidência.

Antes da demissão de Mesa, os chefes de bancada de cada partido político que integram o Congresso Nacional, não tinham resolvido a data da realização da Assembléia Constituinte e Referendum Autonômico, ditando um quarto intermédio até a próxima semana. Hormando Vaca Díez, presidente do Senado, denuncio que a bancada do Movimento ao Socialismo, teria bloqueado o carro para que não se inicie a sessão.

No entanto Evo Morales, chefe do MAS, além de pedir a demissão de Mesa, uma vez consumada a mesma pediu que renunciasse à linha sucessória, os presidentes da Câmara de Senadores e de Deputados. Ao dia seguinte, à mobilização em massa dos setores camponeses e indígenas, somaramse os mineiros que se fizeram ouvir com dinamite.

O analista Álvaro García Linera, assinala que a crise de Bolívia é uma luta de poder, entre ricos e pobres. No entanto Evo Morales indica que são os movimentos marginados e pobres quem devem governar, porque são maioria em Bolívia. 

Se instriu Bloqueio Nacional

São mais de 80 pontos de bloqueio instalados nas principais estradas do país, e cada dia que passa há mais. Por exemplo, a carreteira Santa Cruz-Trinidad e Santa Cruz-Cochabamba foram bloqueadas por camponeses e colonizadores do norte de Santa Cruz. Não há nenhuma província boliviana que não tenha cortes de carreteiras. 
Do mesmo modo, a Federação de Cooperativas Mineiras (Fencomin), bloquearam as estradas do ocidente do país. Assim mesmo, na sexta-feira 3 de junho os protestos se intensificaram convertendo à cidade de La Paz numa pista de marchas, maestros rurais, camponeses de todas as províncias de La Paz, 2.500 cooperativistas mineiros, sindicais e todos os distritos das juntas vicinais aportaram ao centro de La Paz, exigindo adiantar eleições, a Assembléia Constituinte e a nacionalização "de fato" dos hidrocarbonetos e a partilha equitativa de terras. 
A Igreja tentou mediar com os atores políticos e resolveu a saída de Mesa, mas é bem mais complicado convencer a Vaca Dez para apaziguar os ânimos, já que sua decisão de ter sessão em Sucre se interpreta como intenção de que o dirigente do partido de Sánchez de Lozada aspira à primeira magistratura.

Desde La Paz:Melina Valencia Acha

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