A Praça Murillo como símbolo de poder 

A Assembléia Constituinte e Nacionalização dos Hidrocarbonetos é a consigna dos movimentos sociais que tentaram tomar a Praçaa Murillo em reiteradas oportunidades.

 

As pombas da Praça Murillo já não recebem as pipocas vespertinos por parte das crianças, é que a mesma está cercada por efetivos policiais que defenderam com gases durante semanas, a praça que borde ao Palácio Quemado e o Congresso Nacional.

Os movimentos sociais levam como estandarte a consigna de nacionalização de hidrocarbonetos e Assembléia Constituinte, sob estas demandas a Federação de Juntas Vicinais da cidade do Alto, a Central Obreira Regional, a Confederação Sindical Única de Trabalhadores Camponeses de Bolívia, e outras organizações vivas extremam medidas realizando um paro de atividades cívico na cidade, enquanto a sede de governo é centro de mobilizações e manifestações. 

Ainda sem uma resposta por parte do congresso e depois de vários dias de protesto as Juntas Vicinais, em ampliado de presidentes, apresentaram relatório dos acontecimentos precedentes e tomaram a resolução de extremar as medidas de pressão, exigir a renúncia do presidente do Congresso Vaca Dez, pedir a renúncia do burgomaestre do Alto, ratificar a agenda de outubro, além de cercar o acesso ao aeroporto internacional do Alto e a planta de Sensata.

Félix Madani da Junta Vicinal indicou "vamos radicalizar as mobilizações, deuse um ultimato ao prefeito para que se some às mobilizações, determinouse exigir a imediata renúncia de Vaca Dez que são pessoas incapazes de dar soluções".

Somandose a estas medidas uma greve de transporte de 48 convocado pela Confederação Única de Motoristas, com greve total e vigilância permanente das juntas vicinais e a COR, cortando o passo veicular para a urbe de La Paz, com respeito às petições nacionais os motoristas assinalaram "temos que nos unir porque somos uma só família até conseguir nosso objetivo" além de assinalar que é uma medida para proteger seus meios de trabalho.

Enquanto se aderem demandas setoriais dos *cooperativistas/ mineiros, trabalhadores em saúde que iniciaram um alto de atividades, magistério urbano e rural que também vêm realizando um alto nos labores educativos, a Universidade Pública do Alto (UPEA), estudantes da mesma que foram acusadas de provocar fatos vândalos contra propriedade privada e pública. 
A cidade de La Paz em dias anteriores foi o palco, depois de outubro, da maior convocação de setores sociais. A mesma que inicialmente se congregou en La Ceja zona fronteiriça entre a urbe do Alto e La Paz, e desceu pelas carreteiras principais que articulam ambas cidades tomando as ruas e obrigando ao fechamento de comércios, escritorios, entre outros.

Sob a consigna de nacionalização e Assembléia Constituinte os movimentos sociais rodearam a praça Murillo, fortemente resguardada por efetivos policiais, exclamando "o gás não se vende, também não se da de presente, industrializase". O possível rendimento de pessoas à praça Murillo mobilizou a polícias que fizeram uso de gás e água para dispersálos.

Os movimentos sociais, também, propuseram a vigilância à espera da sessão do congresso, tomando avenidas e artérias centrais, ampliando as mobilizações em setores pouco frequentes numa bloqueio de mil esquinas. Assim mesmo, efetuaramse alguns confrontos entre pessoal das marchas e cidadãos, registraramse agressão contra pessoas de gremios que não acataram o fechamento de lojas e comerciais, bem como veículos e motorizados que circularam e que se levaram a pior parte, ao sofrer o destroço de vidros. 
Conquanto o fim de semana deu um respiro, continuaram as marchas e se começou a sentir o desabastecimento de combustível e alimentos.

A classe dirigente demonstrou outra vez mais que não estão à altura das circunstâncias ante a demanda dos organismos sociais que exigem a resolução da agenda surgida em outubro do 2003, recuperação dos hidrocarbonetos e a Assembléia Constituinte, tornando um panorama conflitivo para o governo quem inicialmente os tinha assinalo como "grupos minoritários e isolados" do resto do país. 

Desde La Paz: Leslye Rodriguez Alfaro

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