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Cidadãos de Quito expulsaram ao "Coronelucho" . As manifestações em Quito, a destituição do Congresso e a falta de apoio das Forças Armadas precipitaram a saída do presidente equatoriano, quem procurou asilo na sede diplomática brasileira.
Era a esperança dos equatorianos, faz pouco mais de dois anos tinha ganhado umas eleições com o 53% dos votos, mas ao pouco tempo, como tantos estadistas "ao sul do rio Bravo" ele deu as costas as suas promessas e deixou de respaldar-se na vontade popular. O mesmo se definiu publicamente como o melhor aliado de Bush e o passado 11 de abril, como amostra de que do outro lado também tinham amor, o General Myers, do Comando Sul, condecorou-o. Sua atitude altaneira era abonada por dados macroeconômicos que dizem de um crescimento do 6% anual do seu PBI, conseguido a base da renda petroleira. Como país membro da OPEP, o governo de Gutiérrez tinha previsto importantes investimentos. Os fatos No dia 13 de abril se iniciaram as manifestações com o objetivo de expulsar a Lucio Gutiérrez, mas já o 16 de janeiro teve uma advertência. 200 mil pessoas tinham manifestado nas ruas da capital recusando as ínfulas ditatoriais de Gutiérrez, seu plano de governo, e exigindo uma gestão realmente democrática. Na última semana a gente desafiou o "estado de emergência" disposta pelo mandatário e enfrentou a repressão. O 21 de abril foi outro dia de fúria na América Morena. Desta vez a classe média e meio alta de Quito, que o mesmo Gutiérrez tinha denominado de "foragidos" se mobilizaram para "o golpe final" depois de uma semana de mobilizações. Substituiu a uma Corte Suprema de Justiça que tinha sido designada pelo próprio Gutiérrez ao assumir, por outra mais adicta que permitiu o regresso ao país de outro presidente expulsado, o Abdala Bucaram. Essa medida foi à gota de água. Sob a consigna de !Fora Todos! Romperam o cerco informativo, e com a Rádio A Lua como porta-bandeira fizeram ouvir as suas vozes e decidiram expulsar uma classe política corrupta. Ainda que essa rádio sofreu uma série de sabotagens, a classe média optou pelos telefones celulares para planificar um cerco ao Palácio de Carondelet. Propuseram-se a necessidade de constituir-se num parlamento ou assembléia do povo ou dos cidadãos pára nesse organismo exercer coletiva e livremente a soberania, e lutar para que sua luta não lhes seja arrebatada, como ocorreu com o derrubamento de Bucaram em 1997 e Mahuad no ano 2000. O "coronelucho" (jogo de palavras que inclui seu grau no exército, seu nome e sua valia) tentou conseguir uma força de choque conseguida em Guayaquil, mas os cidadãos, motoristas de trailers, ônibus, carros e camionetes do município impediram que as mesmas ingressassem na cidade. Além de apoiar-se em militantes da Sociedade Patriótica, a FEINE (Federação de Indígenas Evangélicos) prestou-se para levar para a cidade 2 ou 3 mil indígenas. Ordenou a concentração de milhares de polícias e soldados, e equipo-lhes com petrechos especiais que incluíam o temido gás mostarda, as bombas lacrimogêneas com pimenta, cães rotweiler de assalto, cavalos, etc. A queda O Congresso rodeado por uma multidão de milhares de "foragidos" que incluíam meninos, idosos e mulheres, aprovou por unanimidade dos deputados assistentes a cessação da Corte Suprema, e tiveram que manter a sessão no prédio da CIESPAL porque a sede foi atacada e incendiada pelos manifestantes. De 100 legisladores, foram 62 deles que determinaram a destituição do presidente por "abandono do cargo", (60 a favor e 2 abstenções) quando a Constituição determina que são necessárias as duas terceiras partes para isso (67 congressistas). A isto lhe seguiu a declaração das Forças Armadas que lhe retiraram seu apoio argumentando que não estavam dispostos a reprimir o povo. Diante deste panorama o Lucio Gutiérrez quis fugir da casa de governo, ao melhor estilo de la Rua, e quis sair do país, mas a incontrolável manifestação popular se ao aeroporto e lhe impediram decolar. A Embaixada do Brasil lhe deu asilo político e desde ali, depois de uns dias ele viajou para o Brasil. Um avião da Força Aérea Brasileira esperava a decisão do novo governo no estado de Rondônia e finalmente trasladou a um novo presidente expulsado na América do Sul (PES). Um presidente débil Em quase uma década Equador teve 7 presidentes, e pode ter mais se não conseguir apoio externo e interno. Alfredo Palácio é médico cardiologista e não têm o apoio dos partidos políticos. Também não tem apoio social, e uma das primeiras medidas que ele tomou foi destituir a cúpula militar e ao comandante da polícia. Ainda nenhum governo da região tem reconhecido ao novo governo e a OEA também não. Muitos equatorianos reclamam um juízo de responsabilidades ao mandatário deposto e se mostraram desconformes com a decisão brasileira de otorgar-lhe asilo. O ex-presidente declarou por telefone celular que a sua destituição foi inconstitucional e que ele não tinha abandonado seu posto. |