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Bioprospecção ou bio-pirataria: a utilização da sabedoria indígena na ciência ocidental. A sabedoria indígena é então holística: todo está conectado. Em cambio, a ciência ocidental é individualista e tem uma tendência a fragmentar todo para "simplificar" seu entendimento. Tende a ver a realidade de uma maneira objetiva. Esta fragmentação se tornou a base do pensamento ocidental. Nas sociedades caracterizadas pela modernização se escuta falar continuamente da superioridade da ciência ocidental com respeito à sabedoria indígena. O progresso marcado pela influência ocidental, muitas vezes nem reconhece o conhecimento indígena como sabedoria. Muitos esquecem de onde vêm as medicinas que hoje fazem parte do sistema econômico da sociedade. Aqueles que puseram as medicinas no mercado não admitem de onde provem suas mal chamadas "descobertas" e ainda mais, despojam a quem os forneceram daqueles produtos que conformam essas medicinas, produtos que são incluídos no mecanismo social corporativista.
A ciência ocidental se baseou cada vez com mais freqüência no conhecimento tradicional para encontrar novas curas, convertendo-o assim num bem lucrativo. Sua aplicação e a exploração de seu valor comercial são temas de importância já que os indígenas, possuidores originais desta sabedoria, estão sendo vítimas da "biopirataria" disfarçada sob o termo "bioprospecção". A "bioprospecção" é à busca de informação nas espécies biológicas para identificar os benefícios que estas podem oferecer e convertê-las assim em produtos de consumo. No entanto, os problemas que a "bioprospecção" ocasionou no âmbito dos direitos intelectuais fizeram que esta busca seja mais bem definida como "biopirataria". A "biopirataria" implica a apropriação indevida por parte de empresas multinacionais dos recursos biológicos e intelectuais que são depois privatizados e comercializados. Cria-se assim um monopólio da planta para gerar dinheiro, dinheiro que não beneficia a todos por igual e, ironicamente, a quem menos beneficia é a quem fizeram a descoberta originalmente. Quando as propriedades medicinais das plantas são comercializadas, qualquer que tenha os recursos econômicos pode ter acesso às medicinas. Isto impede o acesso às pessoas que originalmente utilizavam esses recursos; em sua maioria indígenas que agora têm que pagar para poder adquirir o que eles utilizavam desde antes que as empresas soubessem para que serviam esses recursos. Muitos cientistas vão às comunidades para aprender os métodos curativos que são utilizados aí, para depois se atribuir em pouco tempo os méritos alheios que tanto tempo participaram nas formas de vida daqueles grupos originários. Muitas das medicinas que encontramos nas drogarias hoje em dia vêm dessa sabedoria milenar que não é reconhecida, senão vista como inferior - uma contradição mais do sistema individualista no que participamos. Os Direitos de Propriedade Intelectual se implementaram para tratar de solucionar esta situação. No entanto, estes acordos carregam com muitas contradições já que protegem aqueles que patenteiam a planta: gente que gera recursos econômicos graças a uma descoberta que não realizou. Isto também supõe que há um dono da descoberta, enquanto a sabedoria indígena é coletiva e não se pode atribuir a uma só pessoa. A "bioprospecção" é então parte de um colonialismo modernizado. O dinheiro vai acima da ética, enquanto a ciência segue minimizando as contribuições do conhecimento tradicional. É um fato que esta sabedoria milenar deve de ser reconhecida como tal para poder falar de desenvolvimento sustentável (satisfazer as necessidades do presente sem comprometer as necessidades das futuras gerações). O fato de que os cientistas estejam utilizando a sabedoria indígena sugere certa complementaridade entre ambas, isto é, que se pode tomar o melhor das duas sem que uma tenha superioridade com respeito à outra; algo que se poderia aproveitar para o desenvolvimento sustentável. É necessário reconhecer o conhecimento tradicional como sabedoria para facilitar a conscientização das pessoas com respeito à necessidade de respeitar à natureza. Isto a sua vez promoveria o compromisso para a igualdade de direitos, o respeito ao meio ambiente, e a minimização do racismo. A ciência então deve de ser substituída pela natureza holística da sabedoria indígena para entender como uma ação afeta a todas as partes e não somente às que estão sendo estudadas independentemente do que as rodeia. Isto também restaurará o balanço entre o ser humano e a terra, a harmonia com o universo e a natureza. |