A CONAMAQ em Bolívia

Entrevista com um representatnte da Confederação Nacional Ayllus e markas do Qullasuyu (CONAMAQ) em Porto Alegre.

Bernardo Condori Yanke, mallku da Comissão Patrimonio Cultural do Conselho Ayllus e markas do Kollasuyu, tem 45 anos e participou no Forum Social Mundial 2005 em Porto Alegre.

Renacer pôde entrevistá-lo ao final do encontro mundial, no momento das despedidas.

¿Como e quando surge a CONAMAQ?

A CONAMAQ se constituiu o 22 de março de 1997 no território dos Quillakas Asanajages. Compõem a CONAMAQ as regionais Jatun, Quillacas, Asanajaqis, J'acha Carangas, Charka Ohara Qhara, Conselho de Ayllus Originarios de Potosí, Qhara Qhara, Ayllus de Cochabamba, Jach'a Suyu Pakajak'i, Urus, Saoras-Chuwis e Kallawayas.

A CONAMAQ é uma organização dos povos aymara e quechua, não é uma organização sindical, e uma organização originaria, cada marka compõe suas ayllus, a parte de baixo e a parte de cima, urinsaya e aransaya. As markas geralmente se compõem de 4 ayllus.

¿Você de que ayllu é?

Ayllu Majakavalle, e outros ayllus como Araya, Kollana, Jilaye, Yanage compõem a marka.

Vocês tiveram um encontro o ano passado em Cochabamba.

Sim, foi em novembro, agora não há data, mas possívelmente vai ser abril ou maio. Eu vou estar até o mês de junho na missão que me atribuíram..

¿Cómo estão organizados?

Há dois máximas autoridades, Vicente Flores Romero e Lorenza Mostacero, sempre é dualidade, o que segue é da nação Sora, Antonio Esmaga (Sulguri) e ele esta com sua Chacha warmi (esposa).

Os que seguimos somos, de Salinas, Lucio Conlque que representa ao Conselho regional e é o Mallku de Relaçoes Internacionais e eu de marka Qulta, como Mallku de Patrimônio Cultural.

¿Você fez parte da organização desde o começo?

Desde meus avôs, muitos mantevimoos a organização e pouco a pouco foi-se danso de forma sindical, eu sempre fio de ayllu.

Quando começamos muitos irmãoes diziam que a forma sindical é trazida de outro lado. Meus irmãoes também quando foram a Chapare voltaram com a idéia sindical aos ayllus.

¿Essa é a diferença com as organizações como o MAS e a CSUTCB?

A organização sindical é forte, dominante, e não é muito bom para os ayllus.

Eles são ditadores, mas são meus irmãoes, eles quando entraram na colonização e se formou uma organização forte.

Nessas organizações sindicais se vê a influência dos partidos políticos.

Agora como CONAMAQ nacional estamos fortalecendo. Aos irmãoes que foram sindicatos, agora estão conscientes, temos um pacto de unidade. Antes diziam, 'eu sou do Chapare' e agora reconhecem sua origem nas comunidades.

Nós dizemos casa grande, casa pequena. La Paz é como meu janka.

Jacha Uta é o campo onde há espaço para pastear e não estamos fechados.

Não se trata somente de fazer negócios e queixar-nos na cidade, nos ayllus também sempre fomos assim, há que viver com seu propio trabalho, nas cidades e no campo. As vezes para encher-nos o saco através da Prefeitura querem pôr-nos água potável, canais de cimento. Eu sempre para semear, até hoje, faço com minhas propias mãos os canais, não faço com cimento porque não absorve e as plantas podem secar-se, os peixes, os sapos, isso é importante para manter o lugar.

Em algumas comunidades como seus membros foram migrar em outros ladoes e viram o moderno, agora o água está ficando podre em alguns lados.

Nas comunidades, o água está viva, das vertentes, não precisamos limpar os bichos, e diretamente tomamos água limpa.

 

¿Qual é a relação da CONAMAQ com Mesa?

Parou-se o problema de outubro, são todos ayllus do Alto, nessa jovem cidade vivem aymaras, quechuas, tenho visto de todos lados, de Cochabamba, de Potosí.

Então no Alto se fez como uma conjunção de povos originários...

Sim, é forte o movimento no Alto, são conscientes, têm suas pequenas empresas, trabalham em sindicato, estão conscientes, não temos gostado do que o Goni quis fazer.

Mesa disse que ia escutar ás organizações, mas está fazendo o que quer. Isso não o vamos permitir, agora elevamos nossa proposta de Lei de Hidrocarbonetos, de Assembléia Constituinte.

Até agora estamos em vigíllia. Parece que vamos parar novamente.

Se não agilizam a Lei de Hidrocarbonetos, porque esta passando o tempo, para enganar-nos.

¿Cómo vêem a problemátuca em Santa Cruz?

Isso foi, nos têm mareado em referendu, mesmo assim estão tomando autonomia, mas sào as empresas, as mesmas do governo, eles têm instituições de terras, para aproveitar nossa gás natural que está em Santa Cruz e Tarija.

Pode passar como em outubro o pior. Mas nós como originários não estamos loucos, estamos pedindo o que é justo.

Agora em Santa Cruz há muitos quechuas e aymaras...

Sim, são muitos, eles estão nas cidades. Mas os guaranies e outros povos originários são maioria.

Mas nós temos um contato e pacto com os povos originários das terras baixas. Por outro lado também existe o domínio dos partidos políticos.

Isso em CONAMAQ passou, sempre há alguém que diz que é CONAMAQ verdadeiro, é que os políticos agarram líderes que ja estão na imprensa, é para encher-nos o saco e para que a gente fracasse.

¿Como viveu o FSM?

Como CONAMAQ compartilhamos com os irmãoes, cada um expôs suas demandas e necessidades. Nossa luta e terra e territorio e recursos naturais, e istos têm que estar repartidos, pelo menos um 50%, é que as empresas estão sempre acostumadas a saquearnos. Eles sempre pensam só em seus bolsos.

Para você são quase idênticas as demandas dos povos indígenas do continente.

Sim, quase o mesmo, porque dizem que os discrimina, não valorizam nem respeitam, escutamos que para o bem-estar dos filhos, não há que deixar assim, porque no día de amanhã eles nos podem atirar em cara e perguntar-nos 'Que fizemos nós?'

¿Alguma reflexão final para compartilhar com os residentes bolivianos em Argentina?

Eu estive em Buenos Aires em novembro e me econtrei com os irmãos dos ayllus também, porque alguns se estão esquecendo, lamentavelmente, alguns choraram, eu sempre participei como autoridade originário. Eles choravam porque disseram "esta era minha tradição, eu sou de tal região".

Eu lhes disse:

"Há que se agarrar de nossa sabedoria, de nossos usos e costumes, mas estando aquí em Argentina, há que se lembrar quem éramos e de onde éramos, e por outro lado eu faço uma saudação aos Irmãos em Buenos Aires e em Ushuaia (Terra do Fogo), porque há irmãos quechuas de Potosí, de Chuquisaca, de Cochabamba, de La Paz, inclusive me mandaram cartas para seus parentes.

 

 

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